terça-feira

ZONAS INDUSTRIAIS

Depois do muito que se tem discutido nos últimos tempos, sobre a instalação ou não de grandes superfícies industriais na região, a Câmara Municipal de Ponte de Lima vem mais uma vez mostrar a sua vontade em fazer crescer a actividade industrial no nosso concelho, com o lançamento de um concurso público para a construção do Polo Industrial da Queijada e suas acessibilidades, com valor inícial previsto de 720 000 Euros.

Este tipo de investimentos por parte do executivo camarário deixa-me algumas dúvidas, começando logo por tentar saber se a câmara já tem garantida a vinda dessa duas grandes superfícies (Cobra e Ikea), ou outras, garantindo assim o retorno de um investimento com algum valor (Até porque ao custo destas obras acrescem outras despesas, compra de terreno, etc....) Não é que nos tenhamos de preocupar com a falta de dinheiro, até porque como todos nós sabemos Ponte de Lima tem uma das Câmaras Municipais mais ricas do Pais, mas a verdade é que esse dinheiro poderia ser bem utilizado noutras áreas ou ajudar a baixar impostos como o IMI.

Outra dúvida que me preocupa é a da existência de saneamento, isto porque se a Zona Industrial da Gemieira está estrategicamente colocada junto ao Rio Lima, o que facilita o desaparecimento dos efluentes, a Zona Industrial da Queijada não tem nenhum curso de água de dimensões suficientes para "despejar" os efluentes aí produzido. Sendo que a própria freguesia da Queijada, bem como todas as outras ao seu redor, não possui qualquer rede de saneamento básico, esse luxo apenas ao alcance dos moradores da metrópole. Será que ainda vão construir toda esta rede de saneamento e uma ETAR algures no Trovela? Espero que assim seja, não me agradava nada ver mais cursos de água inquinados na nossa terra.

Pensativo quanto a algumas outras dúvidas, como a necessidade imperiosa de construir esta infraestrutura, e neste sítio, fico esperançado em poder um dia ver o Concelho de Ponte de Lima transformado num motor de desenvolvimento da Zona Norte do Pais, com baixos níveis de desemprego e boa qualidade de vida. Isto porque me parece clara a vontade que o executivo mostra em trazer para cá grandes investimentos.

Assim espero que aconteça, se bem que este investimento na industria, se assemelhe bastante àquela luta para defender o Mundo Rural, que Daniel Campelo levou a cabo e cujos resultados todos podemos ver diariamente.

Para finalizar devo salientar que todo o investimento que venha melhorar os índices de vida da População Limiana é de facto bem vindo, no entanto devem haver cautelas pois a instalação de grandes empresas pode ser apenas temporária, como já vimos no passado.

Para Ponte de Lima, O Melhor, Sempre!

segunda-feira

"Morte à vista"

O centro histórico de Ponte de Lima tem os dias contados. É fácil chegar a esta conclusão, a Câmara Municipal está a fazer um estudo para retirar o estacionamento do centro histórico da Vila e do Areal. O automobilista terá que estacionar obrigatoriamente nos parques, que se encontram quase sempre fechados, nos limites da vila.

Esta será a machadada final para a morte dos pequenos comércios que já se encontram ameaçados pelas grandes superfícies que abundam e teimam em aparecer (coisa que me surpreende pois bem me lembro do populismo mediático em relação ao não aparecimento das grandes superfícies isto quer por parte da Câmara, quer por parte da Associação Empresarial).

Espero que o estudo transmita que a melhor solução passa pela construção de parques de estacionamento por baixo da Avenida António Feijó, por baixo da Lapa e porque não por baixo do Largo de Camões à imagem do que foi construído em Viana do Castelo...

Esta sim é, a meu ver, a resposta necessária para se retirar em definitivo o estacionamento do areal e resolver alguns dos problemas do trânsito da vila.

Sobre o centro histórico de Ponte de Lima

Será a morte do Centro Histórico de Ponte de Lima?

A crescente oferta de novas habitações, inevitavelmente prédios, nas freguesias circundantes; a inexistência de oferta habitacional moderna no centro histórico; a impossibilidade de reconstruir quer pelos preços incomportáveis, quer pelos entraves burocráticos são factores que, associados a mais alguns, têm conduzido ao envelhecimento da população e consequentemente à desertificação humana. A deterioração é cada vez mais crescente no parque habitacional do Centro Histórico. Aos jovens quando pensam em adquirir casa própria na vila de Ponte de Lima nunca lhes ocorre uma no Centro Histórico, seria um "luxo" para o qual eles, por norma, não estão financeiramente habilitados, e nestes estão incluídos os que sempre lá residiram. Uma grande parte das famílias que ainda lá reside fá-lo porque nunca teve a oportunidade de se mudar para um dos novos blocos de apartamentos na Feitosa e na Graciosa .

Fazem falta medidas para inverter esta tendência suicida: implementação de realidades tão em voga noutros Centros Históricos como a disponibilização de postos Wireless para acesso à Internet gratuitamente, disponibilização da televisão por cabo, desburocratização de todo o processo de obras e o incentivo de cariz fiscal ou subsidiário a que estas se realizem, o incentivo à habitação própria para os jovens. Todos estes aspectos são exequíveis, se existir a verdadeira consciência de que a actual situação não irá melhorar só por si.

Esperemos que a construção de um novo parque de estacionamento na área de S. João não seja sinónimo da proibição unilateral do estacionamento no areal, pois isso seria a condenação à morte do Centro Histórico. Significaria o golpe de misericórdia ao comércio tradicional que aí labuta e que, na realidade, é quem contribui para a pouca vida que o Centro Histórico ainda tem.

Jornal Alto Minho 21-01-2006

domingo

O FUTURO DO CENTRO HISTÓRICO DE PONTE DE LIMA

Os últimos dias têm sido polvilhados por algumas intervenções públicas sobre o futuro do centro histórico de Ponte de Lima, um debate que se quer e deseja alargado e que deve ter um interveniente essencial: a Câmara Municipal. A Junta de Freguesia de Ponte de Lima definiu este tema como central para o corrente mandato, por entender ser este talvez o maior problema com que se debate na sua área de intervenção. Surgiram agora algumas vozes sobre o mesmo tema e, mais do que procurar quem tem ou não razão, mais do que argumentar ou contra argumentar, essencial é trazer o assunto para a primeira linha da actualidade, fazer um levantamento exaustivo dos problemas e dasafios daquele espaço da zona urbana e, sobretudo, projectar o futuro com as necesárias soluções.

Por estas razões, parece-me importante chamar a atenção novamente para uma projectada medida do município, para a zona histórica de Ponte de Lima: a limitação de estacionamento na Rua Inácio Perestrelo, Passeio 25 de Abril e Largo de Camões. Não pela medida em si, que não me levanta grandes objecções, mas por aquilo que ela poderá significar ou arrastar no futuro. A limitação de circulação e estacionamento no centro histórico de Ponte de Lima deve ter limites. E esses limites são os da acessibilidade, ou seja, a facilidade em chegar àquela zona e a facilidade de estacionar. Quando estas vantagens competitivas terminarem, termina a já reduzida vivacidade daquele espaço. E as consequências são muito nefastas. O grosso do tecido comercial limiano, o tradicional, está instalado na zona baixa da vila de Ponte de Lima. O ambiente é, actualmente, de crise: os serviços abandoram a "baixa" (excepção feita à Câmara Municipal), a concorrência nas zonas novas é grande, as médias e grandes superfícies (cada vez mais e maiores) secam tudo à sua volta. A depressão é tremenda, não há luz ao fundo do túnel, a tendência será para piorar ainda mais o actual estado das coisas. É fundamental manter o acesso e o estacionamento na zona baixa de Ponte de Lima, a todo o custo!

Como é fundamental revitalizar o centro histórico. Com medidas de atracção de pessoas, com atractivos que o tornem mais procurado, visitado e frequentado, não apenas ao domingo à hora de almoço mas durante todo o fim-de-semana e nos dias de semana.

Outro desafio enorme é o da desertificação e a degradação. A zona ribeirinha e os espaços tradicionais de Ponte de Lima estão muito degradados e desertos. A degradação crescente dos edifícios torna-os inabitáveis e, gradualmente, as pessoas procuram outras zonas e outras casas. Os programas de recuperação de habitação degradada devem ser mobilizados para este desígnio, os construtores limianos deveriam ser incentivados a investirem também na recuperação de habitações. Depois seria o momento de incentivar os jovens, sobretudo esses, a optarem por uma habitação no centro histórico. Seria aumentada a circulação de pessoas, seriam animados os estabelecimentos comerciais, dar-se-ia uma nova vida a Ponte de Lima. A actual política de expansão urbanística, além de fomentar o abandono das habitações do centro de Ponte de Lima, está a provocar uma grande rotatividade entre os mais antigos e modernos blocos de apartamentos, fomentando-se o aparecimento de blocos e zonas mais degradadas.

Voltaremos ao assunto...

In Parar para Pensar

sexta-feira

O centro histórico de Ponte de Lima

Manuel Pires Trigo, porta-voz do PS limiano, escreve hoje no jornal Alto Minho sobre um assunto interessante e pertinente, o centro histórico. Pires Trigo escreve que o centro histórico é palco não para os limianos mas para fantasmas eu acrescentava que se assim continuar nem estes irão perdurar.

Realmente o centro histórico tem vindo a traçar um caminho que desembocará inevitavelmente na sua morte. O comércio começa a definhar, os seus habitantes tornam-se uma "espécie" em via de extinção.

Alguns factores que contribuem para esta situação são ridiculamente visíveis. A política de construção na periferia que tem vindo a ser encetada nos últimos anos descuidando os incentivos à requalificação (há algum?). A aposta única em granito não apresentando outros atractivos culturais ou lúdicos. A proibição ou limitação do estacionamento sem alternativas credíveis de transportes públicos (há alguma política em Ponte de Lima no que concerne a transportes públicos?). Falta de locais próprios, seguros, para o estacionamento do transporte particular dos residentes. A construção de jardins a que se chamam parques de estacionamento que constantemente estão fechados. O custo, praticamente incomportável para a maioria dos limianos, para a reconstrução no centro histórico. Lembram-se das escavações arqueológicas sustentadas pelo dono da obra que demoram meses?

Haja força política para arrepiar caminho. Haverá?

In pontelima.blogspot.com

quinta-feira

A limitação ao estacionamento na zona histórica de Ponte de Lima

Foi anunciada pelo Vereador do Trânsito, a intenção da Câmara Municipal limitar o estacionamento na Rua Inácio Perestrelo, Largo de Camões e Passeio 25 de Abril. A medida tem, obviamente, objectivos estéticos além do populista objectivo da devolução daqueles espaços aos peões.
Concordo e apoio qualquer medida que vise melhorar a qualidade de vida das populações, que vise valorizar o nosso património, que procure melhorar o centro histórico de Ponte de Lima. Como entendo que esta medida tem esse objectivo, a ela, em consciência, não me posso opôr. No entanto, uma questão gostaria que ficasse bem clara. A zona de Ponte de Lima que mais tem sido prejudicada pelo alargamento desmesurado da zona urbana de Ponte de Lima, com o crescimento sem regras nem juízo da construção de habitação e, obviamente, comércio, tem sido o centro histórico, de onde sairam habitantes, serviços e, obviamente consumidores.
Nesse sentido, é fundamental favorecer o acesso e a permanência das pessoas na "baixa" limiana, para que esta não seja um fenómeno de fim-de-semana, circunscrito ao espaço que vai do Largo de S. João à Avenida dos Plátanos, via Passeio 25 de Abril. Por isso, urge manter espaços de estacionamento, quiçã estacionamento temporário, com o apoio de parquímetros, e que o maisor parque de estacionamento de Ponte de Lima - no areal - se mantenha, embora com restrições que permitam, pelo menos, proteger a ponte românica.

quarta-feira

Turismo de habitação...

A primeira e única casa de turismo rural de Rendufe já figura na Internet. Pode aceder-se à mesma em: [sitio 1], [sitio 2], [sitio 3].

Um dos caminhos possíveis para lutar contra a desertificação da freguesia passa pela criação de infraestruturas deste género. Só o aproveitamento sustentado dos recursos existentes, nomeadamente, os de âmbito paisagístico, etnográfico, histórico, etc. é que podem constitui-se como fontes de potencial riqueza para a freguesia.

A criação de uma rede de casas de turismo pode ser o mote para:
- Empregar a população cativa;
- Restaurar as casas em ruína;
- Fortalecer os laços de cooperação social;
- Criar um mapa de actividades abertas aos turistas:
  • - Matança do porco;
  • - Participação em actividades do campo;
  • - Visitas guiadas aos recantos mais belos da freguesia;
  • - Sessões etnográficas e culturais;
  • - Cozinha tradicional;
  • - Contacto com as actividades associadas à pecuária;
  • - [etc.]
- Gerar mais valias económicas tanto para os proprietários das casas, como para os habitantes que cooperam no desenvolvimento das actividades;
- [etc.]

É ou não, um caminho possível para o futuro da freguesia de Rendufe? É ou não, um caminho possível para as freguesias rurais do concelho de Ponte de Lima? É certo que não é uma solução para todos, mas pode tornar-se uma mais valia de inegável valor para todo o concelho, nas suas múltiplas vertentes e dicotomias.